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terça-feira, 15 de setembro de 2020

JIBAN

título original: Kido Keiji Jiban
título brasileiro: Jiban
ano de lançamento: 1989
país: Japão
elenco principal: Jiko Enokida, Leo Meneghetti, Shohei Kusaka
direção: Keita Amemiya
roteiro: Shozo Uehara

Em 1989, repentinamente, o Japão começa a ser atacado por misteriosos monstros. E na maioria das vezes em que isso acontece, um igualmente misterioso policial robô aparece do nada, destrói as terríveis criaturas e vai embora sem deixar rastro.
Isso é tudo o que o povo de Tókyo sabe.
Enquanto isso, os tais monstros, que são mutantes membros de uma organização criminosa chamada Baiolon, vão se fortalecendo cada vez mais, liderados por seu misterioso criador: um cientista chamado Jean-Marie.
Ao mesmo tempo, ninguém desconfia que o jovem policial Naoto, aparentemente tão bobão, é na verdade o Policial de Aço Jiban (sim: ele é a tal figura que todo mundo pensa que é um robô rs).
Auxiliado por uma menina de uns 10 anos, chamada Aiume, o Jiban obtém uma vitória atrás da outra em suas primeiras investidas contra Baiolon.
Mas a coisa vai ficar séria quando o Dr. Jean-Marie perceber que a Aiume sabe de alguma coisa sobre o herói e começar a visar a menina...

O subgênero metal hero, lançado em 1982 com o seriado Space Cop, foi um dos mais bem sucedidos tipos de seriados de aventura voltados pra crianças e adolescentes que o Japão conheceu nos anos 80. E se propagou até o final dos anos 90, aí já passando por uma certa decadência.
A questão é que os sucessores oitenteiros de Space Cop seguiram basicamente a mesma linha lançada por ele, só com pequenas diferenças de um pro outro. E é claro que tiveram altos e baixos na audiência ao longo da década. Mas até hoje, quando se fala em “metal hero”, o que vem à mente da maioria das pessoas são exatamente Space Cop e os sucessores imediatos dele, ou seja, Sharivan, o Guardião do Espaço (1983); Shaider, o Detetive do Espaço; a ‘imitação de metal hero’ Machineman (ambos de 1984); O Fantástico Jaspion (1985); Spielvan (1986); Metalder, o Homem-Máquina (1987); Jiraiya, o Incrível Ninja (1988); e, finalmente, Jiban.
Os que foram feitos depois disso, como Winspector (1990) e Solbrain (1991), começaram a seguir outros estilos e, na prática, acabaram virando outro tipo de seriado de aventura e se descaracterizando, o que provocou a decadência que eu disse.
Existe uma explicação pra isso: quando um período da História do Japão muda, a Cultura Pop Japonesa também muda na forma de retratar os seus personagens. E 1989 foi o ano do fim do Período Showa e do início do Período Heisei.
Assim sendo, como Jiban foi o último metal hero produzido no Período Showa, foi ele que fechou a definição de metal hero nas condições em que esses seriados tinham sido lançados.
Vale lembrar que Jiban parece ter sido vagamente inspirado no filme estadunidense Robocop (1987), que tava na crista da onda da moda na época em que o seriado foi projetado. E tanto algumas cenas quanto algumas passagens da história parecem confirmar isso.
Mas vamos lembrar que o Jiban é um policial, assim como o Gyaban. E a Toei afirma que a aparência do Jiban foi mais inspirada na armadura do Gyaban do que no visual do Robocop... Se isso for verdade, talvez a intenção inicial deles tenha sido fazer ali um retorno às origens em nova versão, né? Só que isso não seguiu em frente.
E quanto à história em si?
Dá pra ver que a história começa mais infantil (até pela presença da menina e do acesso direto do Naoto à família dela) e vai ficando mais dramática conforme vai avançando (com o Naoto passando a viver sozinho, procurando incessantemente pela amiga desaparecida, descobrindo segredos estarrecedores sobre o passado dele, tendo que lutar contra inimigos cada vez mais poderosos que vão aparecendo e sendo obrigado a se fortalecer cada vez mais).
Jiban também desperta uma certa curiosidade por trazer as 2 vilãs femininas mais fortes da História dos Metal Heroes: a Mado Garbo e a Rainha Cosmos.
A 1ª delas é a obra-prima do Jean-Marie, que criou essa mutante de aparência brutal e poderes quase ilimitados com a intenção única de destruir o Jiban. E a 2ª é uma extraterrestre que aparece lá pelo meio do seriado como um 3º poder da história, atacando tanto o Jiban quanto Baiolon, já que ela quer se livrar desses 2 ‘obstáculos’ pra conquistar a Terra sozinha (ela até chega a fazer uma breve e frágil aliança com Baiolon, mas não dá certo).
As vilãs mutantes Marshal e Kenon, embora não tejam entre as mais poderosas do seriado, também parecem encerrar uma característica que a Toei gostava de retratar nos seus seriados oitenteiros: a presença de vilãs femininas que ocupavam o mesmo posto e que andavam sempre em par.
Vemos isso, por exemplo, nas duplas Kira & Mira, de Denshi Sentai Denziman (1980); Bera & Besu, de Goggle Five, os Guerreiros do Espaço (1982); Urk & Kirt, de Comando Estelar Flashman (1986); Miss Akuma 1 & Miss Akuma 2, de Sharivan; Purima & Guru, de Jaspion; Shadow & Gash, de Spielvan; e Secretária K & Secretária S, de Metalder.
Dá pra ver que, nos anos seguintes a Jiban, essas duplas femininas do mal foram esquecidas pela Toei.
Jiban também é mais um seriado que chama a atenção pro fato da Humanidade poluir não só o nosso planeta como também o próprio espaço, visto que os 2 vilões mais poderosos da história são mutantes que nasceram exatamente desses tipos de poluição.
No Brasil, Jiban fez companhia a vários outros seriados da mesma época e origem na grade de programação da extinta Rede Manchete na virada dos anos 80 pros 90. Mas o último episódio nunca foi exibido por aqui na TV aberta.
Na verdade, só vimos os últimos capítulos de vários desses seriados graças aos sites de vídeos da Internet.
Era a maior decepção quando a gente via esses seriados na Manchete e, quando chegava o penúltimo capítulo e a gente ficava ansioso pra ver no dia seguinte, eles voltavam pro 1º.
Aí reprisava o seriado todo até voltar pro penúltimo capítulo de novo... E acontecia a mesma coisa.
Bom, a vantagem principal da Internet é que você vê o que você quiser, né? Diferente de uma emissora de televisão, em que você vê o que a emissora quer.
O ator Shohei Kusaka, que protagonizou o seriado aqui, já tinha interpretado o vilão redimido Kaminin Oruha, em Jiraiya.
O ator Akira Ishihama, que aqui interpretou o cientista Yanaguida, já tinha interpretado o Dr. Tokimura, em Flashman.
O ator Leo Meneghetti, que aqui interpretou o vilão principal Jean-Marie, já tinha feito uma participação em 1 episódio de Shaider.
O ator Takumi Hashimoto, que já tinha interpretado o ninja mirim Manabu, em Jiraiya, reprisou esse papel dele aqui, em 1 episódio.
O ator Jun Yoshida, que aqui interpretou um pianista em 1 episódio, já tinha interpretado a Sacerdotisa Paú, em Shaider, e também já tinha interpretado o disfarce humano de um robô guerreiro, em Spielvan.
O ator Yasuhiro Ishiwata, que apareceu em 1 capítulo aqui interpretando um roqueiro, já tinha interpretado o Blue Flash Go em Flashman e já tinha interpretado a aparência humana de um monstro em Defensores da Luz Maskman (1987).
O ator Yoshinori Okamoto, que aqui interpretou a aparência humana do monstro do capítulo 15, já tinha feito participações simples em Denziman, Taiyo Sentai San Barukan (1981), Goggle Five, Space Cop, Sharivan e Shaider e já tinha interpretado o robô Shiruba em Chodenshi Bioman (1984), o pirata espacial Buba em Esquadrão Relâmpago Changeman (1985), o herói Deus Titan e o vilão Galdan em Flashman, o ninja subterrâneo Oyobu em Maskman e o vilão Ashura em Choju Sentai Liveman (1988).
O ator Daigaku Sekine, que aqui interpretou a aparência humana do monstro do episódio 13, já tinha feito um personagem menor em Denziman, já tinha feito uma pequena participação em Space Cop, já tinha interpretado o vilão Zampa em Jaspion e já tinha aparecido no episódio 25 de Maskman como um dos guerreiros que lutam contra o Akira.
O ator Ken Nishida, que tinha interpretado o vilão San Dorba em Space Cop, fez uma pontinha em 1 episódio aqui.
Mais informações sobre Jiban? Lá vai:


E dê uma clicada aí do lado em ‘produções japonesas’ que você acha posts sobre Bioman, Changeman, Denziman, Flashman, Goggle Five, Jaspion, Jiraiya, Liveman, Machineman, Maskman, Metalder, San Barukan, Shaider, Sharivan, Space Cop e Spielvan.
Até a próxima!

domingo, 9 de agosto de 2020

JIRAIYA, O INCRÍVEL NINJA / NINJA OLIMPÍADA JIRAIYA

título original: Sekai Ninja Sen Jiraiya
títulos brasileiros: Jiraiya, o Incrível Ninja / Ninja Olimpíada Jiraiya
ano de lançamento: 1988
país: Japão
elenco principal: Masaaki Hatsumi, Megumi Sekiguti, Takumi Tsutsui
direção: Itaru Orita e Tetsuji Mitsumura
roteiro: Kenji Terada, Kunio Fuji e Susumi Takaku

No final do século IV a.C., um enigmático objeto chamado Pako caiu do Céu, sendo visto como um tesouro dado por seres superiores.
Quase 1 milênio depois, no início do século VII d.C., o Príncipe Shotoku, que na época governava o Japão, concluiu que Pako, devido a um ataque que tinha sofrido, não podia mais ficar em exposição. E assim, mandou enterrar o tesouro ao lado da estátua do deus Jirai, divindade da guerra, que deveria proteger o tesouro.
Depois disso, o príncipe desenhou numa tábua de barro um mapa da localização da estátua do deus.
Com o passar dos séculos, toda essa história foi sendo deturpada, a estátua do deus Jirai foi esquecida, as pessoas passaram a entender que a tábua revelava o paradeiro de Pako, cada um foi inventando a sua própria explicação sobre o que seria Pako... E no século XX, a tábua de barro foi parar nas mãos do mestre ninja Tetsuzan Yamashi.
Nos anos 70, um discípulo traidor do Tetsuzan, chamado Dokussai, tentou roubar a tábua (ele acreditava que Pako daria a ele poderes e riquezas pra dominar o Mundo). E lutando contra o vilão pra impedir isso, o velho acabou quebrando a tábua em 2. E só guardou uma das metades, enquanto o Dokussai fugiu com a outra.
Em 1988, o Dokussai volta a atacar a família do Tetsuzan pra pegar a outra metade da tábua. E pra impedir isso, o velho confia a salvação da família ao seu filho adotivo Toha, que assume o nome de guerra de Jiraiya.

Um dos seriados japoneses mais famosos que já foram exibidos no Brasil, Sekai Ninja Sen Jiraiya estranhamente foi lançado em terras brasucas com 2 nomes: na abertura, o narrador anunciava o seriado como Jiraiya, o Incrível Ninja; no encerramento, a voz do mesmo narrador anunciava o seriado como Ninja Olimpíada Jiraiya. Sério mesmo!
Com um nível de humor mais acentuado que seu antecessor Metalder, o Homem-Máquina (1987), que tinha sido considerado sério e dramático demais, Jiraiya trouxe algumas inovações pro subgênero ‘metal hero’: os personagens são quase todos humanos terráqueos (o herói não tem que lutar contra nenhum exército de robôs guerreiros nem contra dezenas de mutantes criados em laboratório); o vilão principal frequentemente vai ao campo de batalha pra lutar pessoalmente contra os heróis; os vilões não têm uma base, mas sim um simples acampamento que fica mudando de um lugar pro outro...
Mas é claro que também não deixa de ter algumas ideias aproveitadas de metal heroes anteriores (em quantidade reduzida): 1 ‘cyborg-mutante’ criado em laboratório, 1 monstro gigante, uns poucos aliens e o herói principal destruindo os vilões com sua espada laser.
Também vemos aqui uma certa influência dos sentais: o herói principal com uma armadura vermelha, vários heróis com trajes de guerra de cores diferentes que vão se juntando a ele ao longo do seriado (principalmente a irmã dele, que usa uma espécie de versão feminina da armadura dele em cor branca)...
Claro que eu não tô dizendo que Jiraiya é um sentai, até porque a Toei nunca reconheceu ele como tal. Mas alguém pode dizer que os roteiristas pelo menos não se inspiraram nos temas comuns dos sentais pra criar esse seriado?
A fase final do seriado leva uma certa sacudida com a chegada do vilão Uchunin Del-Star e com certas revelações sobre o passado que os heróis vão ter através dele.
Vale lembrar que esse vilão passa a funcionar como um 3º poder na história: embora o objetivo principal dele seja matar o Jiraiya, ele também não esconde que pretende aniquilar o Dokussai, chegando a lutar especificamente contra ele algumas vezes.
Por outro lado, alguns personagens foram mal explorados pelo roteiro.
Um cientista chamado Smith ajudou o Jiraiya em momentos críticos, reconstruindo a armadura dele numa versão fortificada depois que ela tinha sido destruída e dando a ele um supercarro cheio de armas. Mas ele simplesmente sai de cena do nada no capítulo 23.
Tudo bem que ele não chegava a ser um personagem tãããããããããão frequente assim no seriado. Ele só apareceu em capítulos específicos. Mas podiam pelo menos dizer pra onde ele foi, né? Até porque fica claro que ele tinha um passado em que o Tetsuzan tinha ajudado ele, mas o assunto é abandonado pelo roteiro logo depois de ser mencionado.
O seriado também levanta até hoje uma polêmica: o Jiraiya era um herói ou um assassino justiceiro?
Afinal, ele é um humano terráqueo e 99% dos vilões que ele mata ao longo do seriado todo também são humanos terráqueos. E quando um humano mata outro humano isso caracteriza assassinato.
Não é uma coisa que a gente vê nos metal heroes anteriores:
Os heróis de Space Cop (1982); Sharivan, o Guardião do Espaço (1983); e Shaider, o Detetive do Espaço (1984) também eram humanos terráqueos. Mas eles só matavam extraterrestres, mutantes criados artificialmente e monstros criados através de magia.
No caso do Fantástico Jaspion (1985), o herói até chegou a matar 1 único humano terráqueo: o mafioso Silke. Mas o Jaspion era um extraterrestre. E não sendo terráqueo, não dá pra considerar ele 100% humano. Então, isso não foi tecnicamente um assassinato.
No caso de Spielvan (1986), o herói basicamente destruiu dezenas de robôs guerreiros durante o seriado todo. E também matou lá uma meia dúzia de extraterrestres e mutantes perversos. Mas não matou nenhum humano terráqueo.
E no caso de Metalder, a gente nem precisa se dar ao trabalho de pensar em quem ele matou ou não: ele era um robô. Se uma máquina mata quem quer que seja, isso não é tecnicamente um assassinato.
Então o Jiraiya, apesar de só matar gente que não presta, acaba ficando caracterizado como o único metal hero assassino, no sentido técnico da palavra.
Também fica evidente que a produção não teve grana pra fazer tudo o que gostaria de ter feito.
Por exemplo, o Dokussai é servido por vários soldados, chamados coletivamente de karatsutengus, que usam armaduras inspiradas nos tengus (entidades voadoras da Mitologia Japonesa). Mas sempre aparecem no máximo 3 deles juntos em cada cena...
Quando lançaram O Elo Perdido (1974) nos Estados Unidos, devido à contenção de despesas, a produção só pôde fazer 3 fantasias de sleestaks. Mas era feita uma edição de cenas pra fazer parecer que tinham vários deles juntos no mesmo lugar.
Pois é. Aqui aconteceu o mesmíssimo problema com as fantasias dos karatsutengus. E a produção algumas vezes usou o mesmo método pra resolver o problema. Foi a mesma coisa, sem tirar nem pôr.
O ator Issei Hirota, que aqui interpretou o herói Ryu, já tinha interpretado o Blue Mask Akira em Defensores da Luz Maskman (1987).
O ator Junichi Haruta, que aqui interpretou o vilão redimido Kazenin Mafia Storm, já tinha feito participações simples em Denshi Sentai Denziman (1980) e Taiyo Sentai San Barukan (1981); já tinha interpretado o guerreiro preto Kan-Pei em Goggle Five, os Guerreiros do Espaço (1982); já tinha interpretado o vilão MacGaren em Jaspion; já tinha protagonizado o filme de terror Baioserapi (1986); e já tinha feito uma participação simples em Metalder.
O ator Masayuki Suzuki, que aqui interpretou o vidente atrapalhado Rakuchin, já tinha interpretado o fotógrafo atrapalhado Kojiro em Space Cop, Sharivan e Shaider. E aliás, era o mesmo tipo de personagem.
A atriz Hizuru Uratani, que aqui interpretou o disfarce jovem da Aracnin Morgana, já tinha feito uma participação simples em Denziman e também já tinha interpretado a vidente do Planeta Melon em Jaspion (aquela que contou ao Jaspion sobre o Pássaro Dourado).
O ator Kazuoki Takahashi, que aqui interpretou o vilão Aman Negro, já tinha interpretado o Change Gryphon Hayate em Esquadrão Relâmpago Changeman (1985), já tinha interpretado a aparência humana de um monstro de Comando Estelar Flashman (1986) e também já tinha interpretado o herói Satoro em Metalder.
O ator Kenji Ohba, que aqui fez uma participação simples como um mestre ninja que testou o Jiraiya, já tinha interpretado o guerreiro azul Daigoro em Denziman, já tinha protagonizado Space Cop, já tinha sido um herói recorrente em Sharivan, já tinha feito uma participação simples em Metalder e mais tarde apareceria no filme Uchu Keiji Gyaban Za Mubi (2012).
O ator Eichi Kikuchi, que aqui fez uma participação simples em 1 episódio como um empresário corrupto, já tinha interpretado o Professor Igana em Goggle Five e o pirata espacial Gasami 1 em Jaspion, além de já ter feito personagens menores em Os Vingadores do Espaço, Spectreman (1971), Lion-Man (1972), Machineman (1984) e Spielvan.
O ator Michiro Ida, que aqui interpretou o vilão Kanin Chang Kung Fu Jr., já tinha feito uma participação simples em 1 episódio de San Barukan e já tinha interpretado o Matador Implacável em Space Cop.
A hoje falecida atriz Machiko Soga, que aqui interpretou a vilã Aracnin Morgana, já tinha interpretado a Rainha Hedorian em Denziman e San Barukan, a aparência humana de um monstro de Space Cop, a aparência humana de um monstro de Sharivan, a Rainha Pandora de Spielvan e a mãe do Barrabás em Maskman.
O hoje falecido ator Kin Omae, que aqui interpretou o herói Ronin Haburamu, já tinha interpretado o Rei Demônio Banriki em Denziman e também já tinha feito uma pequena participação em Goggle Five.
O hoje falecido ator Jun Tatara, que aqui interpretou o mestre do Aman Negro, já tinha interpretado o patrão do Gyaban em Space Cop.
O hoje falecido ator Shogo Shiotani, que já tinha interpretado o disfarce humano de um robô guerreiro de Bicrossers (1985), apareceu aqui como o ninja Fire, da unidade de ninjas especiais da Benikiba.
E o hoje falecido ator Ulf Otsuki, que aqui apareceu em 2 episódios como o vilão Gonin Abdad, já tinha aparecido em 1 episódio do Poderoso Lion-Man (1973).
E pra encerrar só um lembrete (não posso dizer que é uma novidade, porque provavelmente a maioria que tá lendo isso aqui já sabe disso): Jiraiya tá sendo apresentado pela Bandeirantes aos domingos de manhã, junto com Changeman e Jaspion.
Mais informações sobre Jiraiya? Lá vai:


E dê uma clicada aí do lado em ‘produções japonesas’ que você acha posts sobre Baioserapi, Bicrossers, Changeman, Denziman, Flashman, Goggle Five, Jaspion, Lion-Man & O Poderoso Lion-Man, Machineman, Maskman, Metalder, Os Vingadores do Espaço, San Barukan, Shaider, Sharivan, Space Cop, Spectreman, Spielvan e Uchu Keiji Gyaban Za Mubi. E dê uma clicada ‘criaturas pré-históricas’ que você acha um post sobre O Elo Perdido.
Até a próxima!

terça-feira, 21 de julho de 2020

METALDER, O HOMEM-MÁQUINA

título original: Chojinki Metalder
título brasileiro: Metalder, o Homem-Máquina
ano de lançamento: 1987
país: Japão
elenco principal: Hiroko Aota, Kazuoki Takahashi (creditado aqui como Hiroshi Kawai), Seiko Seno (creditado aqui como Akira Seno)
direção: Takeshi Ogasawara
roteiro: Shozo Uehara

Quem já se informou um mínimo que seja sobre Machineman (1984) sabe que esse seriado foi uma tentativa da Toei de conquistar um público mais jovem. Ou seja, era uma espécie de imitação de metal hero feita pra crianças entre 5 e 6 anos, enquanto os metal heroes lançados até ali eram pra pré-adolescentes ou eventualmente adolescentes.
Em 1987, seguindo na contramão do que tinham feito com Machineman, a Toei decidiu lançar um metal hero mais voltado pro público adulto. E assim foi criado Metalder, o Homem-Máquina.
Mais pensativo e menos brincalhão que seus antecessores, o herói aqui luta contra um vilão igualmente mais sério e mais inteligente do que o comum, que não perde tempo fazendo babaquices como dar sustos em crianças e adjacências.
Se trata do Imperador Neroz, que governa um império dividido em 4 tropas: Blindada, Cibernética, Mecanol e Monster.
Teoricamente, os marechais de cada uma dessas tropas tem a mesma autoridade, ficando todos em posição de igualdade abaixo do Neroz. Mas, na prática, o marechal da Tropa Blindada, chamado Artur, recebe muito mais destaque do que os 3 colegas. Ele é um protegido do imperador e acaba ocupando de fato o posto de 2º no comando no império.
Quanto ao roteiro:

Em 1944, o cientista japonês Ryuichiro Koga perdeu seu único filho numa das batalhas da 2ª Guerra Mundial. E pra se vingar dos americanos e ao mesmo tempo proteger o Japão com uma arma infalível, ele criou um androide à imagem e semelhança do filho dele, chamado Hideki Kondo, que, quando se enfurece, se transforma num robô guerreiro chamado Metalder.
Mas, como era um pacifista, o cientista logo depois concluiu que o que ele tava fazendo era errado. E depois de reprogramar o robô pra fins mais pacíficos, acabou deixando ele num laboratório secreto.
Na mesma época, um coronel do Exército Japonês chamado Issao Muraki, que também era um cientista e amigo do Ryuichiro, ajudou ele inicialmente no ‘Projeto Metalder’. Mas ele começou a usar ilegalmente prisioneiros de guerra como cobaias pra fazer experiências.
Quando o Ryuichiro descobriu isso, cortou relações com ele. Mas, em 1987, ao buscar informações sobre o ex amigo, acabou descobrindo uma organização secreta criminosa: o Império Neroz...
Com as novas informações que foi encontrando, o Ryuichiro não viu outra saída a não ser ativar o Metalder pra que ele destruísse o Império Neroz.
Mas, chegando ao laboratório onde tinha deixado o robô, ele viu que tava sendo seguido por guerreiros do Império Neroz. E pra manter o laboratório escondido, saiu dali e se deixou localizar pelos vilões, sendo morto por eles segundos depois.
Vendo a situação, o Metalder entrou em ação. Mas, apesar de mostrar que tinha grandes poderes de ataque, ele não sabia usar nenhum deles direito, sendo derrotado pelos inimigos nessa 1ª luta.
Ele logo vai se aprimorar nas lutas. Mas ainda vai demorar muito tempo pra ele descobrir qual é a relação entre o criminoso de guerra Issao Muraki e o Império Neroz...

Pouco lembrado no seu país de origem devido ao sucesso superficial que fez por lá (ao contrário do que a Toei esperava, o público adulto não deu muita bola pro seriado e o público infantil também não se interessou, já que a temática era adulta demais), Metalder também não foi lá essas coisas em termos de audiência quando foi exibido na TV aberta do Brasil. Até porque foi exibido pela Bandeirantes, que nunca se lixou muito pra seriados japoneses de aventura, usando eles como meros tapa-buracos na programação.
Mas, como aconteceu com outros programas do mesmo tipo, ele conquistou uma legião de fãs em anos recentes, graças à Internet.
Realmente, temos poucos pontos negativos pra destacar aqui. Só uma bizarrice ou outra, como o desaparecimento sem explicação de 2 vilões fixos...
É difícil definir o que o Fufuchu e o Mukimukiman eram. Mas vamos dizer que eram 2 lutadores de sumô estilizados.
Bom, eles aparecem regularmente nos 8 primeiros capítulos de Metalder. E aí, de uma cena pra outra, eles simplesmente não voltam mais a ser vistos e ninguém menciona eles a partir daí.
E uma coisa curiosa é que, quando o seriado já tá no final, aparecem algumas cenas de flashback do início, quando alguns personagens se lembram de uma coisa ou outra do começo da história. E nessas cenas esses vilões aparecem. Então, também não fizeram questão de esconder que eles já tiveram lá no início e depois sumiram.
Outra coisa um pouco estranha é o sedentarismo do Imperador Neroz...
Bom, desde o 1º capítulo, vemos que ele tem uma identidade secreta: o empresário multimilionário Makoto Dobara. E nessas condições, ele vive uma vida comum pra um homem da classe social dele.
Mas, quando se transforma em Neroz, ele passa o tempo todo sentado num trono. E só aparece em pé e andando numa única cena do final, quando reconstrói o robô Balzac.
O seriado não tem um final feliz. Mas o Metalder e os amigos que ele vai fazendo ao longo da história conseguem cumprir a missão que eles tinham que cumprir.
Então, posso recomendar Metalder a fãs de metal heroes em geral, que certamente já tão acostumados com algumas esquisitices.rs Mas lembrando que ele tem um formato mais sério do que o comum.
Aliás, o ator Kazuoki Takahashi fez parte do elenco fixo do seriado exatamente pra trazer um toque de mais humor pra história (antes da chegada do personagem dele, o seriado tava ‘seco’ demais). E como ainda tava fresca na memória do público a imagem dele interpretando o Change Gryphon Hayate em Esquadrão Relâmpago Changeman (1985) e o herói Miran em Comando Estelar Flashman (1986), isso parecia uma boa estratégia pra chamar a atenção dos fãs desses outros seriados.
Diga-se de passagem, a Toei usou a mesma estratégia pra tentar chamar a atenção de fãs de outros seriados da época pra Metalder...
Principalmente nos capítulos 25 e 26, quando reuniram ali os atores Hiroshi Watari, Junichi Haruta e Kenji Ohba e as atrizes Sumiko Tanaka e Makoto Sumikawa (que na época respondia pelo nome de Jun Koyamaki).
Todos eles tinham interpretado heróis principais em Denshi Sentai Denziman (1980); Goggle Five, os Guerreiros do Espaço; Space Cop (ambos de 1982); Sharivan, o Guardião do Espaço (1983); Chodenshi Bioman (1984); e Spielvan (1986). Sem contar que o Junichi já tinha feito participações simples em Denziman e em Taiyo Sentai San Barukan (1981) e já tinha interpretado o MacGaren em O Fantástico Jaspion (1985) e o Hiroshi já tinha interpretado o herói Boomer-Man em Jaspion e já tinha trabalhado como dublê em San Barukan e em Goggle Five.
Alguém vai dizer que nesses 2 episódios específicos não houve uma tentativa explícita de fazer os fãs desses seriados darem uma olhada em Metalder?
E no capítulo 28, a atriz Hiroko Nishimoto, que tinha interpretado a Change Mermaid Sayaka em Changeman, também fez uma participação.
O ator Shinji Todo, que aqui interpretou a aparência humana do Imperador Neroz, já tinha interpretado o General Hedora em Denziman e o monstro do episódio 17 de Space Cop.
O ator Koji Unogi, que aqui interpretou o monstro Hedogross Jr., já tinha apareceria em 1 episódio de Flashman como o policial Hiroshi Tachibana.
Também vale lembrar que, em 1994, a Saban Entertainment pegou várias cenas de Metalder e de Spielvan e usou como stock footage pra fazer um seriado novo, acrescentando depois também cenas de Shaider, o Detetive do Espaço (1984).
Tudo isso foi dublado com outros têxtos em Inglês, dando origem assim ao seriado V. R. Troopers.
Mais informações sobre Metalder? La vai:


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Até a próxima!

quinta-feira, 9 de julho de 2020

JASPION 2 / SPIELVAN

título original: Jiku Senshi Supiruban
títulos brasileiros: Jaspion 2 / Spielvan
ano de lançamento: 1986
país: Japão
elenco principal: Hiroshi Watari, Jun Takanomaki (creditada aqui como Makoto Sumikawa), Naomi Morinaga
direção: Makoto Tsuji, Michio Konishi, Takeshi Ogasawara, Yoshiaki Kobayashi
roteiro: Shozo Uehara

Planeta Clean. Ano 12000 (pelo calendário vigente ali).
Um biólogo chamado Paul procura a explicação pra estranha poluição que as águas do planeta vêm sofrendo. Mas um dia, estranhas criaturas invadem a casa dele e raptam ele, levando também a filha dele, chamada Hélen, como refém.
Sob a mira das armas dos raptores, a esposa dele e o filho mais novo, chamado Spielvan, nada podem fazer. E ainda são obrigados a abandonar o planeta numa nave gigante, junto com os poucos sobreviventes do ataque daqueles invasores...
Eles acabam descobrindo que as criaturas que raptaram o Paul e a Hélen e atacaram o Planeta Clean são o Império Water, uma sociedade criminosa que viaja de planeta em planeta atrás de águas limpas pra manter vivo um parasita chamado Water, que eles acreditam ser um deus: nas águas onde o Water se instala, se forma um plâncton pestilento que polui toda a água daquele planeta, forçando a criatura a se mudar pra outro planeta e começar ali o mesmo processo.
A nave em que o povo de Clean escapou ficou avariada durante a fuga e, depois de um tempo, dá sinais de que vai explodir em breve, além dos suprimentos já começarem a se aproximar do fim. E assim, como as únicas crianças sobreviventes são o Spielvan e uma menina chamada Diana, todos concordam em embarcar os 2 numa nave menor ancorada ali e mandar eles garantirem a sobrevivência da espécie de Clean.
Claro que, além disso, eles têm que procurar o Império Water, destruir esses vilões pra vingar a destruição de Clean e salvar outros planetas de terem o mesmo destino no futuro, além de tentar resgatar o Paul e a Hélen.
E passados 12 anos de viagem, o Spielvan e a Diana (agora com 20 e 18 anos) encontram pistas do Império Water, que tá se dirigindo pra Terra, onde pretende se fixar por causa do excesso de água do planeta!
Ou seja: várias lutas vão ter o nosso planeta como palco...

Spielvan foi um dos últimos seriados japoneses de aventura lançados pela extinta Rede Manchete, que no final dos anos 80 e início dos 90 era uma espécie de ponto de encontro dos programas desse tipo no Brasil.
Embora na própria abertura do seriado ele fosse anunciado com o nome de Spielvan, a Manchete anunciava ele durante os intervalos comerciais com o título marketeiro de Jaspion 2, querendo pegar carona no sucesso do Fantástico Jaspion (1985), o carro-chefe da programação infanto-juvenil da emissora na época. Mas apesar de Spielvan ter sido produzido pela Toei assim como Jaspion e de ter sido filmado no ano seguinte a ele, um seriado não tem nada a ver com o outro em termos de história.
Outra coincidência é que o herói principal e personagem-título de Spielvan foi interpretado pelo ator Hiroshi Watari, que tinha interpretado o herói Boomer-Man em Jaspion.
Vale lembrar que ele já tinha experiência em metal heroes, já tendo aparecido no final de Space Cop (1982) e protagonizado Sharivan, o Guardião do Espaço (1983). E isso faz dele o único ator a protagonizar 2 metal heroes.
Vale lembrar que ele também trabalhou como dublê em Taiyo Sentai San Barukan (1981) e em Goggle Five, os Guerreiros do Espaço (1982)
Embora Spielvan faça parte oficialmente só da franquia dos metal heroes, na prática a gente pode dizer que ele é uma mistura de metal hero com sentai, já que não mostra só 1 rapaz de armadura lutando contra vilões com superpoderes, mas sim um pequeno grupo de jovens guerreiros fazendo isso (característica de sentai). Mas a figura principal da história é o rapaz em questão e é ele que destrói os vilões com os golpes mortais dele (característica de metal hero).
Então, esse seriado vai agradar basicamente a fãs desses 2 subgêneros.
Spielvan é mais dramático do que a maioria dos programas desse tipo, mas tem lá umas pinceladas de comédia.
E o que os personagens aqui têm de especial?
No time do bem, como já vimos, desde o início tem o Spielvan e a Diana, aos quais mais tarde se junta a Hélen.
Nos 3 primeiros metal heroes, ou seja, Space Cop, Sharivan e Shaider, o Detetive do Espaço (1984), os vilões teletransportavam os heróis pra outra dimensão durante as lutas deles, pra dificultar as coisas; essa ideia não foi usada em Jaspion; e em Spielvan ela foi usada de forma invertida, já que aqui o herói é que se transporta voluntariamente pra longe das cidades durante as lutas, pra evitar que inocentes sejam atingidos.
Também com exceção do Jaspion, todo protagonista de metal hero tem um cara meio atrapalhado que anda junto com ele, sendo o responsável por algumas cenas de humor do seriado. E no caso do Spielvan, o personagem que desempenha essa função na história é o Daigoro.
Mas, curiosamente, esse personagem some do seriado sem explicação nenhuma a partir do capítulo 19, apesar de ter sido presença constante na história até ali.
E o Império Water passa por algumas reformulações ao longo do seriado, com a saída de vilões antigos e a chegada de novos.
Mas acho que o personagem que passa por mais mudanças na história é o General Deslock: ele começa o seriado como uma figura assustadora, com autoridade quase absoluta dentro do Império Water; quando o Imperador Guiotine chega, o Deslock vira uma espécie de bobo da corte dele; e ele termina tentando dar um golpe de estado e se apossar do trono da Rainha Pandora.
O principal ponto negativo de Spielvan foi o último capítulo, com uma conclusão que ninguém entendeu direito... Na verdade, o próprio Hiroshi Watari já declarou em mais de 1 entrevista que nem ele entendeu direito!
Pra encerrar, vale lembrar que Spielvan foi um dos seriados que inspiraram V. R. Troopers (1994). E teve até algumas de suas cenas reaproveitadas em Troopers como stoke footage, assim como aconteceu com Shaider.
A atriz Naomi Morinaga, que interpretou a Hélen em Spielvan, já tinha interpretado a Ani em Shaider, a aparência humana do monstro do capítulo 29 de San Barukan e também uma boneca mutante em 1 capítulo de Goggle Five.
O ator Toshimichi Takahashi, que em Spielvan interpretou o Dr. Bio, já tinha interpretado o vilão Iki em Jaspion, o herói Keiso em Sharivan e o General Des-Killer em Goggle Five, além de ter feito algumas figurações em Denshi Sentai Denziman (1980) e San Barukan.
O ator Satoshi Kurihara, que fez uma participação simples como o Líder do Planeta Clean em Spielvan, já tinha interpretado o Shogun Yoritomo Minamoto em Jaspion, o General Gailer em Sharivan e também já tinha feito algumas figurações em Denziman, Goggle Five e Space Cop.
O ator Jun Yoshida, que interpretou a Sacerdotisa Paú em Shaider, aqui interpretou o disfarce humano de um robô do Império Water.
O ator Eichi Kikuchi, que aqui fez uma participação simples em 1 episódio como um empresário chantageado pelo Império Water, já tinha interpretado o Professor Igana em Goggle Five e o pirata espacial Gasami 1 em Jaspion, além de já ter feito alguns monstros em Os Vingadores do Espaço (1966), Spectreman (1971), Lion-Man (1972) e o disfarce humano de um robô guerreiro em Machineman (1984).
E a hoje falecida Machiko Soga, que interpretou a vilã Pandora em Spielvan, já tinha interpretado a Rainha Hedorian em Denziman e San Barukan, além de ter interpretado as aparências humanas de 2 monstros de Space Cop e Sharivan.
Mais informações sobre Spielvan? Lá vai:


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Até a próxima!

domingo, 19 de abril de 2020

O FANTÁSTICO JASPION

título original: Kyoju Tokuso Jasupion
título brasileiro: O Fantástico Jaspion
ano de lançamento: 1985
país: Japão
elenco principal: Junichi Haruta, Kiyomi Tsukada, Seiki Kurosaki (creditado aqui como Hikaru Kurosaki)
direção: Yoshiaki Kobayashi
roteiro: Shozo Uehara

Em 1985 foram lançados os 2 seriados japoneses de aventura considerados no Brasil os maiores clássicos recentes vindos de terras nipônicas: Esquadrão Relâmpago Changeman e O Fantástico Jaspion.
Ambos foram lançados na TV aberta do Brasil ao mesmo tempo pela extinta Rede Manchete, em 1988. E conquistaram um verdadeiro exército de fãs no Brasil.
Uma grande parte dos brasileiros que foram crianças ou adolescentes na virada dos anos 80 pros 90 até hoje se referem ao Japão como “a terra do Jaspion”.rsrs
Bom, o herói em questão foi o 1º metal hero a aparecer nas telinhas brasucas, encarando monstros gigantes ao pilotar seu robô, o Gigante Guerreiro Daileon. Além de também destruir um monte de vilões espaciais de tamanho humano com o golpe mortal de sua espada laser, o Cosmic Laser. Ou seja, pra época, foi uma grande novidade no Brasil.
Vale lembrar que Jaspion se aproveitou de uma série de temas mostrados pela série cinematográfica Guerra Nas Estrelas, lançada em 1977. E o próprio vilão principal do seriado, chamado Satan Goss, teve a aparência claramente inspirada no Darth Vader, vestindo uma armadura preta e empunhando uma espada laser vermelha (mas só o aspecto é parecido: os 2 personagens têm histórias de vida completamente diferentes).
Pouco depois do lançamento de Jaspion, quando a Manchete lançou Lion-Man (1972), os tradutores brasileiros deram ao vilão desse outro seriado o nome de Satan Goss, numa tentativa de chamar a atenção do público pra Lion-Man, pegando carona na fama que Jaspion tinha naquela época.
Esse aqui também foi o 1º metal hero voltado pra um público infantil-adolescente a não seguir o estilo ‘continuação’, ao contrário dos seus 3 antecessores Space Cop (1982); Sharivan, o Guardião do Espaço (1983); e Shaider, o Detetive do Espaço (1984).
Bom, Machineman (1984) também não seguiu o estilo ‘continuação’. Contudo, como eu já expliquei anteriormente, ele faz parte da mesma categoria dos metal heroes, mas não da mesma franquia.
O roteiro de Jaspion foi vagamente inspirado em conceitos bíblicos:

Um dia, o Deus Criador do Universo revela ao seu profeta Ejin que um demônio chamado Satan Goss vai despertar e enfurecer os monstros de diferentes planetas pra exterminar a galáxia. E pra evitar isso, através do Ejin, o Deus Criador (que nunca aparece, mas só manifesta a vontade dele através de fenômenos e de escrituras deixadas na Bíblia Galáctica) escolhe um rapaz pra lutar contra o demônio: o Jaspion.
E mais tarde, através de fachos de luz, o Deus Criador aponta as 6 pessoas que ele quer que ajudem o Jaspion nessa missão (5 crianças e 1 bebê), dando ao herói o trabalho de se reunir com elas pra destruir o Satan Goss.

Nesse seriado também temos um dos casos mais clássicos de um vilão secundário que passou a frente do vilão principal. Porque, hierarquicamente, o vilão principal é o Satan Goss. Mas, em 90% das situações, quem comanda o time do mal na prática é o filho dele, chamado MacGaren.
É quase o mesmo tipo de situação que a gente vê em She-Ra (1985) entre o Soberano da Horda e o Hordak, né?
A história começa com o herói principal bastante cômico e até meio irresponsável, o que dá um clima bastante humorístico aos primeiros capítulos. E a coisa vai ficando mais séria conforme o seriado vai avançando. Mas acho que isso foi proposital, pra mostrar o amadurecimento do personagem ao longo da história.
Ele foi criado pelo Ejin, que parece uma versão mais nova do Asu dos Vingadores do Espaço (1966).rsrs
E vamos lembrar que Jaspion traz no elenco os atores Hiroshi Watari e Junichi Haruta, que apareceram em vários outros seriados de aventura da época, como Denshi Sentai Denziman (1980); Taiyo Sentai San Barukan (1981); Goggle Five, os Guerreiros do Espaço (1982); Space Cop; Sharivan; e vários outros que vieram depois de Jaspion (também vamos falar sobre eles aqui: podem esperar!).
O ator Seiki Kurosaki, que na época respondia pelo nome de Hikaru Kurosaki, deu vida ao personagem-título. Mas ele já tinha sido visto antes em 2 capítulos de Chodenshi Bioman (1984). E uma curiosidade: na mesma época, ele começou a namorar a hoje falecida atriz Yoko Asuka, que interpretava a vilã Fara, com quem ele se casaria não muito tempo depois (ambos acabaram deixando a carreira artística e foram trabalhar como professores de mergulho).
A atriz Kiyomi Tsukada, que aqui interpretou a androide Anri, a assistente do Jaspion, já tinha interpretado a fotógrafa Gunko em Machineman e também já tinha feito uma participação simples em 1 capítulo de Shaider.
O ator Hideaki Kusaka, que aqui interpretou o Satan Goss, já tinha interpretado os vilões Heru Satan em San Barukan e Mau Saíke em Sharivan. E ao mesmo tempo tava interpretando o Gyodai em Changeman.
O ator Noboru Nakaya, que aqui interpretou o Ejin, já tinha interpretado o Professor Hongo em Goggle Five.
A atriz Yukie Kagawa, que aqui interpretou a feiticeira Kilmaza, já tinha interpretado a vilã Amazon Kira em San Barukan.
O ator Toshimichi Takahashi, que aqui interpretou o vilão Iki, já tinha interpretado o herói Keiso em Sharivan e o General Des-Killer em Goggle Five, além de ter feito algumas figurações em Denziman e San Barukan.
O ator Daigaku Sekine, que aqui interpretou o vilão Zampa, já tinha feito participações simples em Denziman e Space Cop.
A atriz Hizuru Uratani, que aqui interpretou a vidente do Planeta Melon que revelou a existência do Pássaro Dourado, já tinha aparecido em Denziman numa participação simples.
O ator Eichi Kikuchi, que aqui interpretou o vilão Gasami 1, já tinha interpretado o disfarce humano de um robô guerreiro em Machineman e o Professor Igana em Goggle Five, além de já ter interpretado alguns monstros dos Vingadores do Espaço, Spectreman (1971) e  Lion-Man.
O ator Satoshi Kurihara, que aqui interpretou o Shogun Yoritomo Minamoto, já tinha interpretado o General Gailer em Sharivan e também já tinha feito algumas figurações em Denziman, Goggle Five e Space Cop.
A atriz Waka Satomi, que aqui interpretou a feiticeira Titânia, já tinha aparecido numa foto em Bioman como a mãe do Shuichi e também já tinha feito figurações em Denziman, San Barukan e Shaider.
O ator Ryusuke Sakizu, que aqui interpretou o androide Zaú, guarda-costas do mafioso Silke, já tinha feito uma participação simples em Shaider.
O ator Masaya Nihei, que interpretou o herói Ide em Ultraman (1966), fez uma participação especial em 1 episódio aqui.
E o hoje falecido ator Ko Ikeda, que aqui interpretou o feiticeiro Chip, seguidor da Kilza, já tinha feito uma participação simples em Sharivan.
Pra encerrar, vale lembrar a maior de todas as curiosidades que aconteceram no Brasil envolvendo Jaspion e Changeman: devido à epidemia do coronavírus, que resultou na falta de programação nova da Bandeirantes, a emissora adquiriu os direitos de transmissão desses seriados e tá exibindo eles aos domingos de manhã!!!
Voltar a ver seriados dos anos 80 sendo exibidos na TV aberta do Brasil já é algo completamente surpreendente. Mas Jaspion e Changeman já tavam fora do ar no Brasil, se não me engano, desde os anos 90!
Depois dessa eu acredito até em muçulmano valorizando a democracia!
Mais informações sobre Jaspion? Lá vai:


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Até a próxima!

terça-feira, 7 de abril de 2020

MACHINEMAN

título original: Seiun Kamen Mashinman
título brasileiro: Machineman
ano de lançamento: 1984
país: Japão
elenco principal: Hideyo Amamoto, Kiyomi Tsukada, Osamu Sakuta
direção: Takeshi Osagawara
roteiro: Shotaro Ishinomori

Não é novidade pra ninguém que metal heroes são seriados voltados pro público pré-adolescente ou (menos comumente) adolescente. Só que a Toei Company, que foi exatamente a companhia responsável pelo lançamento desse subgênero no início dos anos 80, naquela mesma época começou a visar um público um pouquinho mais jovem, ou seja, crianças por volta de 5 ou 6 anos.
O motivo é simples: quanto mais pequenininha for a criança, mais ela fica enchendo o saco dos pais pra eles comprarem os brinquedos relacionados aos programas que ela vê na televisão. Então, é um público que oferece uma vendagem mais garantida de produtos.rsrs
Assim, se inspirando vagamente na imagem do Superman, a Toei lançou o que pode ser visto como um metal hero voltado pra crianças menores: Machineman.
Bom, como a Toei é a responsável pela franquia metal hero, é ela que dá a palavra final sobre quais seriados fazem parte dessa franquia oficialmente e quais não fazem. E a Toei nunca declarou que Machineman é um metal hero. Então, oficialmente, não é.
Entretanto, é inegável que eles se inspiraram nos heróis dessa franquia específica pra criar esse personagem. Então, acho que ninguém pode negar que ele faz parte da mesma CATEGORIA dos metal heroes, embora não faça parte da mesma franquia.
Vestindo uma armadura mais colorida e de aparência mais simples do que as dos seus colegas Gyaban, Sharivan e Shaider, o herói aqui (sim: é ele que se chama Machineman rs) também tem um posicionamento bem menos violento do que eles: ele só destrói robôs guerreiros e evita matar qualquer ser vivo. Assim, quando derrota qualquer vilão humano, ele não mata a pessoa, mas sim purifica, transformando o bandido em questão numa pessoa ‘do bem’.
Pra se transformar, o herói geralmente tem que empunhar um aparelhinho enigmático pro Céu, porque isso faz com que um carro de outro planeta se materialize ao redor do corpo dele e transforme ele... Detalhe: ele dirige esse carro deitado!
Aí, quando ele chega do lado do vilão que ele vai enfrentar, o carro some... E aí ele parte pra luta? Não. Primeiro ele fica mais uns 10 segundos fazendo poses na frente do vilão. Depois disso é que ele parte pra luta.rsrs
E essa coisa de apontar um aparelhinho pro Céu pra poder se transformar parece uma certa alusão a Ultraman (1966), né?
Aliás, pra compensar a baixa quantidade de porrada muito explícita nas cenas de luta (a violência foi diminuída, já que o público-alvo eram criancinhas mais pequenininhas), carregaram um pouco mais nas cenas de comédia.
E o time do mal? Bom, ao contrário dos vilões de quase todos os outros metal heroes, que querem sempre dominar a Terra ou mesmo o Universo, os vilões de Machineman têm um objetivo bem mais modesto: se livrar de todas as crianças que eles encontrem pelo caminho, já que eles são uma família de mafiosos alérgicos a crianças! São um tio e uma sobrinha chamados Professor K e Lady M... Como será o nome do resto da família? Lorde X e Doutora Y?rsrs
O Professor K comanda uma organização chamada Tentáculo, enquanto a Lady M comanda uma organização chamada Polvo. E no 1º ato do seriado o Professor K ataca, no 2º ato a Lady M ataca e no 3º ato os 2 atacam juntos.
Bom, a cada capítulo, eles mandam 1 robô guerreiro diferente pra lutar contra o Machineman. Só que a produção aqui fez só 3 fantasias de robôs, que eram recicladas a cada capítulo pra parecer que eram vários.
Nota-se que a produção não tava lá com muita grana na época, né?rsrs
A própria duração do seriado foi bastante simplificada, já que seriados desse tipo têm em média 50 capítulos. Machineman só teve 35.
Ao final de tudo isso, temos que admitir que a ideia da Toei funcionou, já que esse foi um dos seriados deles que produziram uma vendagem maior de brinquedos na 1ª metade dos anos 80.
Bom, como vocês tão vendo, Machineman é um seriado de aventura. Mas não pode ser assistido sob uma ótica adulta. É pra ver literalmente sem esperar temas muito elaborados nem violência gráfica. Então, se você levar isso em conta, você vai gostar.
A fotógrafa Gunko, que tá sempre rodeando o Machineman, foi interpretada pela atriz Kiyomi Tsukada, que, no mesmo ano, fez uma participação simples em 1 capítulo de Shaider, o Detetive do Espaço (1984).
A atriz Chiaki Kojo, que interpretou aqui a Lady M, já tinha interpretado a vilã Kira em Denshi Sentai Denziman (1980).
E o ator Eichi Kikuchi, que aqui interpretou o disfarce humano do robô guerreiro do capítulo 4, já tinha interpretado o vilão Igana de Goggle Five, os Guerreiros do Espaço (1982), além de já ter interpretado alguns monstros dos Vingadores do Espaço (1966), Spectreman (1971) e  Lion-Man (1972).
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Até a próxima!

domingo, 5 de janeiro de 2020

UCHU KEIJI GYABAN ZA MUBI

título original: Uchu Keiji Gyaban Za Mubi
título brasileiro: inexistente (inédito no Brasil)
ano de lançamento: 2012
país: Japão
elenco principal: Kenji Ohba, Yukari Taki, Yuma Ishigaki
direção: Osamu Kaneda
roteiro: Saburo Yatsude e Yuji Kobayashi

Em 1982, o Policial do Espaço Gyaban lutou contra o grupo criminoso Maku, que pretendia dominar a Terra. E na batalha final, ele matou o terrível Don Rola, chefe da quadrilha, dando fim a Maku...
Passados 30 anos, um bando de novos criminosos espaciais, liderados pelo misterioso Lord Buraiton, decidem restaurar Maku. E pra isso, pretendem raptar uma terráquea, trazer de volta o espírito do falecido Don Rola e fazer ele reencarnar na mulher, pra assim assumir o poder sobre essa nova geração de Maku.
Pouco antes disso, um astronauta terráqueo chamado Geki, depois de sofrer um acidente com a nave dele, foi resgatado pela Polícia Espacial e treinado pra se tornar um policial do espaço. E recebeu o cognome de Gyaban.
Mandado à Terra pra enfrentar a nova geração de Maku, ele se mostra inapto pra fazer isso. E assim, a Polícia Espacial não tem outra alternativa a não ser mandar à Terra o antigo Gyaban, pra que ele ajude o novato na missão dele...

Lançado pra comemorar os 30 anos de Space Cop (1982), Uchu Keiji Gyaban Za Mubi é um bom filme, no sentido de mostrar tudo o que se espera que ele mostre. E claro que com efeitos especiais bem mais elaborados do que nas primeiras produções em que o herói Gyaban apareceu... Bom, são 30 anos de diferença, né?
Claro que o filme deixa umas 2 ou 3 situações sem explicação. Mas isso até que passa batido.
Embora não tenha sido lançado comercialmente no Brasil, Uchu Keiji Gyaban Za Mubi pode ser facilmente encontrado até nos sites de vídeo mais famosos da Internet (você encontra até versões dubladas em Português por fãs!).
Várias falas e cenas do filme só vão ser compreendidas na íntegra por quem chegou a ver o seriado dos anos 80 e suas 2 continuações (Sharivan, o Guardião do Espaço, de 1983; e Shaider, o Detetive do Espaço, de 1984). Mas quem não viu também não vai deixar de entender a história do filme, porque ela não chega a se aprofundar nesses detalhes.
E os vilões? Bom, dizer se o vilão principal do filme é o Lord Buraiton ou o Don Rola é uma questão de interpretação, já que uma boa parte dos atos do Buraiton foram obra do Rola. Mas ambos têm um histórico indiscutivelmente perverso: o Don Rola já fez tudo o que fez no seriado dos anos 80; e o Lord Buraiton, como vai se ver nesse filme aqui, era um adolescente brilhante que ficou com uma personalidade intratável devido ao ciúme que ele sentia dos amigos, fez merda, culpou os outros pela merda que ele fez e, pra ‘se vingar’, virou um mafioso espacial!
E pros fãs de seriados japoneses dos anos 80 em geral, sem dúvida que a atração principal aqui é a presença do ator Kenji Ohba, que participou também de várias outras produções dos anos 80, como Denshi Sentai Denziman (1980).
Aliás, o Kenji deve dormir no formol: ele já tinha 57 anos quando gravou esse filme e participou de todas as cenas de ação, mostrando a mesma flexibilidade que tinha quando gravou o seriado de 1982!
Esse filme também foi o canto do cisne do ator Toshiaki Nishizawa, que interpretou o chefe da Polícia Espacial Qom nos 3 seriados dos anos 80. E que, aliás, foi um dos únicos personagens que apareceram nos 3.
O Toshiaki voltou aqui interpretando o mesmo personagem, mas faleceu no ano seguinte.
Mais informações sobre Uchu Keiji Gyaban Za Mubi? Lá vai:


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Até a próxima!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

SHAIDER, O DETETIVE DO ESPAÇO

título original: Uchu Keiji Shaida
título brasileiro: Shaider, o Detetive do Espaço
ano de lançamento: 1984
país: Japão
elenco principal: Hiroshi Tsuburaya, Jun Yoshida, Naomi Morinaga
direção: Hideo Tanaka
roteiro: Shozo Uehara

Não é preciso se informar muito sobre Sharivan, o Guardião do Espaço (1983) pra saber que ele é uma continuação direta de Space Cop (1982). E em 1984, foi lançado o seriado que pretendia ser a continuação de Sharivan... Bom, não podemos negar que foi. Mas não de forma muito satisfatória.
Shaider, o Detetive do Espaço não tem tanta conexão assim com os outros 2 metal heroes já citados... Claro que você vê uns poucos personagens que apareceram nos outros 2 fazendo tímidas participações especiais aqui. Mas algumas são tão tímidas que por pouco que você nem percebe.rs
O ator Toshiaki Nishizawa e as atrizes Kyoko Nashiro e Wakiko Kano, que tinham interpretado o Comandante Qom e suas assistentes Marin e Mimi em Space Cop e em Sharivan, voltaram aqui interpretando os mesmos personagens. Assim como o ator Masayuki Suzuki, que voltou aqui interpretando o fotógrafo Kojiro.
O Gyaban e o Sharivan, os 2 heróis principais anteriores, só aparecem aqui em cenas de luta que duram poucos segundos no final do seriado. E imaginem: isso não passa de cenas antigas dos 2 seriados anteriores que foram reaproveitadas aqui como stock footage! Os atores Kenji Ohba e Hiroshi Watari, que interpretaram os heróis, nunca gravaram nenhuma cena nova pra Shaider.
Tirando isso, tenho que dizer que o seriado em si apresenta várias falhas...
Em termos de produção, os monstros de Shaider conseguem ser mais mal feitos do que os monstros de qualquer outro seriado japonês que eu já tenha visto, mais antigo ou mais novo do que esse. E a outra dimensão onde os vilões vivem, se fosse um pouquinho mais mal feita, ia ser confundida com cenário de teatro infantil amador.
Em termos de roteiro, a coisa não é muito melhor: a história não apresenta evolução quase nenhuma (do capítulo 1 até o capítulo 44, não entra nem sai nenhum personagem no núcleo dos heróis nem no núcleo dos vilões), o herói principal não tem carisma (ele nem sequer tem um grande motivo pessoal pra lutar contra os vilões: faz isso mais por obrigação profissional como policial) e houve excesso de personagens no núcleo dos vilões (nada menos que 14 vilões fixos são mantidos do 1º ao 44º capítulo).
Como ponto positivo, posso dizer que a armadura do herói ficou legal e as cenas de luta também são boas.
No meio disso tudo, temos aqui o Shaider, o herói da vez (interpretado pelo hoje falecido Hiroshi Tsuburaya), lutando contra Fuma, a quadrilha de vilões espaciais da vez.
O demônio Kubilai, chefe de Fuma, aparece a princípio simplesmente como uma grande cabeça decepada pregada numa parede. Mas, conforme o seriado vai avançando, vamos entendendo o que fez ele ficar nessas condições, ao se defrontar num passado distante contra outro herói que também se chamava Shaider (e também interpretado pelo Hiroshi Tsuburaya).
A neta e herdeira dele é a Sacerdotisa Paú, interpretada pelo ator Jun Yoshida.
Na verdade, ela é um vilão travesti. No original em Japonês ela é chamada o tempo todo de “sacerdote”, e não de “sacerdotisa”. E também podemos ouvir claramente que ela fala com voz de homem no áudio original. Mas, no Brasil, provavelmente pra evitar polêmicas mostrando um travesti num programa voltado pro público infantil, o personagem foi dublado com voz de mulher e chamado de “sacerdotisa”.
De qualquer forma, é ele (ou ela) quem manda nos vilões da história abaixo do demônio Kubilai.
Temos aqui também o fim dos metal heroes que seguem o estilo ‘continuação’ (os metal heroes produzidos dali pra frente tiveram, cada um, uma história independente, que começava e acabava no mesmo seriado), o que fez Space Cop, Sharivan e Shaider ficarem conhecidos coletivamente como “trilogia uchu keiji”.
Apesar disso, Shaider teve uma espécie de continuação/reboot. Se trata do seriado filipino Zaido: Pulis Pangkalawakan (2007), que se passa 20 anos depois dos eventos mostrados no seriado de 1984 e tem como herói principal um filho do Shaider e como vilões uma quadrilha muito parecida com Fuma.
Também vamos lembrar que várias cenas de Shaider foram aproveitadas como stock footage na 2ª temporada do seriado estadunidense V. R. Troopers (1995), dando pra ver claramente que a 2ª armadura do herói de Troopers era igual à armadura do Shaider. E vários vilões de Troopers foram inspirados nos vilões de Shaider.
No Brasil, alguns capítulos de Shaider foram exibidos no Xou da Xuxa (1986). Mas o seriado inteiro só foi exibido como um tapa-buracos na programação da madrugada da Globo. Por isso mesmo, foi muito menos visto no Brasil do que os seus 2 antecessores.
Vale lembrar que a atriz Naomi Morinaga, que interpretou a Ani em Shaider, já tinha interpretado a aparência humana do monstro do capítulo 29 de Taiyo Sentai San Barukan (1981) e também já tinha interpretado uma boneca mutante em 1 capítulo de Goggle Five, os Guerreiros do Espaço (1982).
E a atriz Mai Oishi, que interpretou a Garota 2 em Shaider, já tinha interpretado uma das defensoras do Cristal Iga em Sharivan.
Mais informações sobre Shaider? Lá vai:


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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

SHARIVAN, O GUARDIÃO DO ESPAÇO

título original: Uchu Keiji Shariban
título brasileiro: Sharivan, o Guardião do Espaço
ano de lançamento: 1983
país: Japão
elenco principal: Hiroshi Watari, Kenji Ohba, Yumiko Furaya
direção: Hideo Tanaka, Michio Konishi, Satoru Tsuji, Takeshi Ogasawara e Toshiaki Kobayashi
roteiro: Shozo Uehara

Em 1982, Space Cop lançou entre os seriados de aventura o subgênero metal hero, que se manteria na TV Japonesa ao longo do resto da década.
O seriado tem como herói principal o Policial do Espaço Gyaban (ou Gavan ou Gaban ou Gabin, de acordo com diferentes tradutores), que lutava contra o Grupo Maku, uma quadrilha extraterrestre que queria dominar a Terra. E no último capítulo, depois de destruir Maku, o Gyaban é recompensado por isso, sendo promovido a capitão da Polícia Espacial, o que obriga ele a deixar a Terra pra ocupar esse posto. E quem vai ficar na Terra como substituto dele é o Detetive Espacial Sharivan.
E o seriado fecha com a voz do narrador ‘adivinhando’ que um novo grupo de vilões espaciais tão de olho na Terra...
Como se vê, Space Cop deixou uma porta escancarada pra uma continuação, né? E ela chegou em 1983: Sharivan, o Guardião do Espaço.
O então estreante Hiroshi Watari deu vida ao personagem-título. Mas o ator Kenji Ohba, que interpretou o Gyaban, aparece aqui em várias participações especiais. E aliás, o Gyaban dá uma super ajuda ao Sharivan na batalha final dele contra os vilões.
Por falar nos ditos-cujos, eles são a Sociedade Criminosa Mad, uma quadrilha fechadona e sinistra que vive num sombrio castelo em outra dimensão. E o lúgubre rei deles, chamado Mau Saíke, esconde um segredo só revelado no final do seriado que torna ele imortal. Ou seja, o Sharivan vai ter que se virar contra um inimigo que ele não tem como matar!
E a Dra. Pórter, sucessora do Mau Saíke no comando da organização, é a responsável por acionar a Máquina do Mundo da Alucinação, que transporta qualquer inimigo dela pra outra dimensão, junto com o monstro que ela tenha enviado na ocasião pra lutar contra esse inimigo. E a única forma de desfazer o efeito da máquina e voltar pra Terra é se um dos 2 (o monstro ou o inimigo de Mad) matar o outro... Quem vocês acham que escapa sempre quando o Sharivan é mandado pra lá junto com algum monstro?rs
Isso foi uma imitação de Space Cop (o Grupo Maku fazia quase a mesma coisa), só que um pouco mais bem elaborada.
A história assume um clima mais fantasmagórico e cheio de intrigas na reta final, com a chegada do horripilante Feiticeiro Leider, que invoca onryos (espíritos mal intencionados de pessoas que já morreram) pra atacar o Sharivan e os aliados dele, ao mesmo tempo em que tenta jogar os membros de Mad uns contra os outros com a intenção de, no futuro, dominar a organização.
Sharivan é um seriado de aventura, mas as pitadas de terror light são frequentes aqui. Então, vai agradar a quem gosta de ambos os gêneros.
Vale lembrar que, antes de interpretar o Gyaban, o Kenji Ohba já tinha interpretado o herói Daigoro em Denshi Sentai Denziman (1980).
Antes de estrear em Space Cop como ator, o Hiroshi Watari já tinha feito trabalhos como dublê em Taiyo Sentai San Barukan (1981) e em Goggle Five, os Guerreiros do Espaço (1982).
O ator Toshiaki Nishizawa e as atrizes Kyoko Nashiro e Wakiko Kano, que tinham interpretado o comandante da Polícia Espacial e suas assistentes em Space Cop, voltaram aqui interpretando os mesmos personagens. Assim como o ator Masayuki Suzuki, que interpretou um fotógrafo desastrado e mal-humorado, responsável pelas cenas cômicas do programa.
O ator Hideaki Kusaka, que aqui interpretou o Mau Saíke, já tinha interpretado o vilão Heru Satan em San Barukan.
O ator Toshimichi Takahashi, que aqui interpretou um herói recorrente chamado Keiso, já tinha interpretado o vilão Des-Killer em Goggle Five, além de ter feito algumas participações simples em Denziman e San Barukan.
O ator Satoshi Kurihara, que aqui interpretou o vilão Gailer, já tinha feito pequenas participações em Space Cop, Denziman e Goggle Five.
A atriz Hitomi Yoshioka, que interpretou aqui a vilã Pórter, já tinha feito uma participação em 1 capítulo de Space Cop.
O hoje falecido ator Mitsuo Ando, que interpretou aqui o vilão Leider, já tinha interpretado a aparência humana do monstro do capítulo 8 de Denziman.
O ator Kazuyoshi Yamada, que interpretou a aparência humana do Mau Saíke (aquele careca de terno branco que fica espionando os heróis), já tinha aparecido em 1 capítulo de Space Cop.
E a hoje falecida atriz Machiko Soga, que já tinha interpretado a Rainha Hedorian em Denziman e San Barukan, além de ter feito uma participação simples em Space Cop, também apareceu aqui interpretando a aparência humana do monstro do capítulo 22.
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Até 2020!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

SPACE COP

título original: Uchu Keiji Gyaban
título brasileiro: Space Cop
ano de lançamento: 1982
país: Japão
elenco principal: Hiroshi Watari, Kenji Ohba, Machiko Soga
direção: Toshiaki Kobayashi
roteiro: Kazue Abe, Mikio Matsushita, Shozo Uehara, Susumu Takaku, Tatsuro Nagai, Tomomi Tsutsui e Tsuyo Hayashi

Em 1977, foi lançado o clássico Guerra nas Estrelas - Uma Nova Esperança, abrindo as portas pra franquia Star Wars. E no final dos anos 70 e início dos 80, esse assunto se tornou um hit em todos os países ocidentais ou que mantinham contato cultural com o Ocidente.
Consequentemente (e inevitavelmente), vários países lançaram na época produções cinematográficas e/ou televisivas que tentavam seguir os passos de Guerra nas Estrelas. E o Japão fez isso com Space Cop... Nome meio bizarro que Uchu Keiji Gyaban receberia em terras brasucas. Afinal, todo mundo deve estranhar que um seriado japonês, ao passar no Brasil, tenha recebido um título em Inglês, né?
Pois é. Só que isso não foi culpa da tradução brasileira: a própria Toei Company, que produziu esse seriado, exportou ele com esse nome pros países ocidentais que se interessaram pelo programa.
Bom, o seriado tem como herói principal o policial do espaço Gyaban, que luta contra o grupo criminoso Maku, uma quadrilha de vilões espaciais com superpoderes que querem conquistar a Terra. E pra isso, a cada vez que atacam a Terra, os vilões mandam um monstro ou guerreiro com poderes diferentes.
O vilão principal é o Don Rola, uma estátua monstruosa (aparentemente de gesso) que é o chefe do Grupo Maku. Abaixo dele vem um vilão que começou sendo chamado no Brasil de Caçador Maligno, mas depois teve o nome mudado (nas últimas aparições, ele acaba sendo chamado de Matador Implacável). E na reta final do seriado aparece o filho do Don Rola, chamado San Dorba, que chega pra se tornar a nova 2ª autoridade máxima de Maku.
Destaque pra hoje falecida atriz Machiko Soga, que aqui interpretou o monstro do capítulo 21 (uma mulher-abelha) e, de acordo com alguns sites, também fez a voz da vilã Kiba no áudio original.
A Machiko é mais famosa por interpretar a Rita Repulsa na 1ª temporada de Power Rangers (1993). Mas os fãs de sentais também devem se lembrar dela interpretando a Rainha Hedorian em Denshi Sentai Denziman (1980) e Taiyo Sentai San Barukan (1981).
Como o personagem Gyaban voltou a aparecer em outros seriados depois desse, e esses seriados também foram exibidos no Brasil, mas ficaram sob a responsabilidade de tradutores diferentes, o herói foi apresentado ao público brasileiro com os mais variados nomes: Gyaban, Gavan, Gaban e até Gabin!
Mas isso também não é tanto culpa da tradução brasileira. É que, lá no Japão, quando eles escrevem o nome do personagem com letras ocidentais, eles escrevem sempre “GAVAN”, com V. Mas na hora de pronunciar o nome dele, às vezes eles falam [GABAN], outras vezes eles falam [GYABAN]. Complicado, né? Mas é assim mesmo.
Bom, quando eu me referir a ele vou escrever Gyaban, OK?
Space Cop abriu as portas pra um tipo de seriado de aventura que foi uma das marcas registradas da TV Japonesa ao longo dos anos 80: os metal heroes. E Space Cop, junto com os 2 metal heroes seguintes, formam a trilogia uchu keiji, que é vista pelos fãs do gênero como a fase mais clássica dos metal heroes. Mas isso é conversa pros próximos posts. Aguardem! Não vai demorar!
Vale lembrar que o ator Kenji Ohba, que interpretou o herói principal aqui, já tinha interpretado o herói Daigoro, o guerreiro azul de Denziman.
A vilã Kiba foi interpretada por um homem: o ator Noboru Mitani. E esse já tinha interpretado a aparência humana do monstro do capítulo 13 de Denziman.
E o ator Michiro Ida, que interpretou o Matador Implacável, já tinha feito uma pequena participação em San Barukan.
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Até a próxima!