título original: Vamp
ano de lançamento: 1991
países: Brasil / Itália / Portugal
elenco principal: Cláudia Ohana, Ney Latorraca, Reginaldo Faria
direção: Jorge Fernando
roteiro: Antônio Calmon, Lilian Garcia, Tiago Santiago e Vinícius Vianna
Em 1781, a Baía dos Anjos, localizada no litoral do Rio de Janeiro, foi invadida por um bando de vampiros, liderados pelo terrível Conde Vladmir Polanski, popularmente conhecido como Vlad.
Uma moradora da região, chamada Eugênia Queiroz, foi a vítima mais insistentemente perseguida pelo vampiro.
Sabendo da situação, um padre português levou até lá a Cruz de São Sebastião, conhecida por ter o poder de destruir qualquer demônio. Mas, quando o padre partiu pra luta aberta contra o Vlad, acabou sendo morto pelo vampiro e derrubando a cruz no Mar, onde ela afundou e se perdeu...
O padre não sabia, mas, de acordo com uma profecia, o destino do Vlad é morrer somente no dia em que um homem com o sobrenome Rocha enfrentar ele empunhando a Cruz de São Sebastião. Até que isso aconteça, ele será indestrutível!
Mais de 200 anos depois, uma cantora pobre chamada Natasha se apresenta em boates decadentes de São Paulo, sem conseguir nem sequer chamar a atenção de ninguém enquanto canta. E cansada da situação, ela declara que tá disposta a vender a alma ao diabo em troca de sucesso na carreira musical.
Como a Natasha não é ninguém menos do que a reencarnação da Eugênia Queiroz, o Vlad escuta as palavras dela. E aparece diante da cantora, comprando a alma dela e transformando ela numa vampira.
Conforme o pacto, a Natasha se transforma numa estrela do rock internacional. Mas se arrepende do método que usou pra isso, se decidindo a se livrar do Vlad e voltar a ser humana. E assim, orientada por um espírito chamado Rafa, ela decide ir até a Baía dos Anjos em 1991, encontrar a Cruz de São Sebastião e destruir o Vlad com a ajuda de um homem chamado Rocha.
Vamp chamou a atenção por ser a 1ª novela brasileira voltada do início ao fim pra assuntos relacionados ao vampirismo.
Mas se trata antes de mais nada de uma comédia de aventura voltada mais pro público adolescente. E os vampiros são mais engraçados do que propriamente maus.
O único vampiro retratado como mais poderoso mesmo é o próprio Vlad.
O vampiro Gerald, que tenta manter uma postura neutra entre os heróis e os vilões da história, funciona como um vilão secundário. Mas ele é um personagem meio de ‘temporadas’: ele passa algumas fases da novela ajudando os vilões, outras fases ajudando os heróis. E nos últimos capítulos, ele tenta se tornar o vilão principal, sem perceber que tá funcionando apenas como um idiota útil pro Vlad.
Alguns dos efeitos especiais mostrados parecem ter sido propositalmente mal feitos pra provocar risos no público. E o diretor Jorge Fernando definiu a novela como uma “chanchada de terror” exatamente por causa dos efeitos.
Os poderes e as fraquezas dos vampiros de Vamp só funcionam às vezes: às vezes eles se ferem quando tocam em alho, outras eles até comem alho numa boa; às vezes eles se ferem quando tocam em cruzes, outras não se ferem; às vezes eles refletem nos espelhos, outras não refletem...
Também não houve preocupação em manter a imagem do vampiro clássico. Por exemplo, eles andam à luz do Sol sem problemas e morrem se alguém atirar neles com uma bala de prata (se não me engano, isso só acontece com lobisomens, né?).
Apesar da profecia do homem chamado Rocha empunhando a cruz, o Vlad na verdade morre e ressuscita várias vezes ao longo da novela em situações que podem ou não ter alguma coisa a ver com a situação descrita pela profecia.
Mas, apesar dessas pequenas contradições, Vamp foi um dos maiores sucessos do início dos anos 90. E vai agradar a qualquer fã de aventura e comédia.
Mais de 90% da novela foram gravados no Brasil. Mas mais ou menos metade dos capítulos da 1ª semana foram gravados na Itália e Portugal.
Vamp fez tanto sucesso na época que foi reprisada pela Globo apenas 1 ano depois que a transmissão original tinha acabado, no início de 1993, na Sessão Aventura.
Ver essa novela é uma boa oportunidade pra lembrar que, nos anos 80 e 90, as novelas da Globo podiam falar sobre qualquer assunto e criticar qualquer coisa. Bem diferente de hoje, quando a Globo explicitamente se transformou numa mera filial do PT: as novelas da Globo atuais só podem mostrar e apoiar situações com as quais o PT concorda, só podem criticar quem não é esquerdista, não podem conter cenas falando nada contra qualquer esquerdista que seja... Em outras palavras: atualmente existe uma censura esquerdista sobre o que pode e o que não pode ser mostrado nas novelas da Globo.
Já sei que alguém vai querer dizer que o Jair Bolsonaro quer impor nos dias de hoje uma censura que ele chama de “filtro”. Sim, é claro. E eu não estou defendendo ele (até porque eu deixo claro que não sou nem nunca fui bolsonarista) nem estou defendendo a óbvia censura que ele quer impor. Mas eu não me faço de cego e surdo pro fato do PT querer impor esse outro tipo de censura que eu mencionei acima.
Mais informações sobre Vamp? Lá vai:
Até a próxima!