sábado, 9 de maio de 2020

BICROSSERS

título original: Kyodai Ken Baikurossa
título brasileiro: Bicrossers
ano de lançamento: 1985
país: Japão
elenco principal: Kenji Ushio, Tetsu Kaneko, Yuki Tsuchiya
direção: Takeshi Ogasawara
roteiro: Shotaro Ishinomori

Em tempos que já vão longe, um deus de outro planeta, chamado Pégasus, previu que, num certo momento do final do século XX, a Terra correrá um grande perigo. Mas nascerão 2 homens no Japão, um em 01 de Janeiro de 1965 e outro em 02 de Fevereiro de 1968, que salvarão o planeta da ruína unindo suas forças.
Metade da profecia do deus se cumpriu quando um menino chamado Ken Mizuno nasceu em 01 de Janeiro de 1965, ganhando um irmão chamado Ginjiro Mizuno em 02 de Fevereiro de 1968.
E em 1985, um cientista especialista em robótica identificado apenas como Doutor Q, obcecado por aumentar a sua já enorme coleção de diamantes, se apodera de uma estátua mágica possuída pelo demônio Gula pra conseguir isso: quando ouve o choro de humanos (principalmente de crianças), a estátua cospe diamantes. E assim o Doutor Q usa seus robôs pra assustar e ferir crianças, pra fazer com que elas chorem e façam a estátua cuspir novas peças pra coleção dele.
Pra tentar resolver o problema, o deus Pégasus confere poderes, armas e armaduras aos Irmãos Mizuno.
A coisa fica pior algum tempo depois, quando a estátua endemoninhada é substituída por um computador guerreiro possuído por um demônio mais poderoso ainda do que o outro, chamado Gula-Zonguer. E o Doutor Q, agora transformado num vilão mais sério, abandona sua obsessão por diamantes e se une a esse demônio pra dominar a Terra!
E assim se cumpre a outra metade da profecia do deus.
Chegou a hora dos Irmãos Mizuno unirem todos os poderes que receberam do deus Pégasus pra salvar a Terra...
Eles são os Bicrossers.

Não é preciso se informar muito sobre Machineman (1984) pra saber que se trata de um seriado que seguiu os passos dos metal heroes e que tinha como público-alvo crianças pequenininhas (por volta de 5 ou 6 anos), já que os seriados que são reconhecidos oficialmente como parte da franquia metal hero eram todos voltados pra um público-alvo um pouquinho mais velho do que isso. Só um pouquinho, hein!rs
Como a coisa deu certo, a Toei decidiu lançar logo depois outro seriado voltado pra crianças menores, mas dessa vez seguindo os passos dos sentais, continuando assim a fórmula que tinha usado com Machineman. E dessa forma, em 1985, ao lado de Esquadrão Relâmpago Changeman e O Fantástico Jaspion (considerados, no Brasil, os 2 maiores clássicos entre os seriados japoneses dos anos 80), a Toei lançou Bicrossers.
E assim como Machineman seguiu os passos dos metal heroes sem ser oficialmente um metal hero, Bicrossers também seguiu os passos dos sentais sem ser oficialmente um sentai. Mas, sendo voltado pro público mirim-mirim, claro que se trata de um ‘sentai’ bem simplificado: só tem 2 guerreiros no grupo dos heróis, não tem vilões mandando monstros gigantes destruírem Tókyo, não tem heróis usando um robô gigante pra lutar contra esses monstros...
Como a gente vê, nem todos os passos dos sentais foram seguidos e os que foram seguidos foram resumidos.
Aliás, as cenas de violência foram bastante reduzidas aqui (assim como em Machineman, em Bicrossers os heróis só destroem robôs guerreiros, mas não matam nenhum ser vivo), ao mesmo tempo em que as cenas cômicas foram intensificadas.
Além dos sentais, dá pra ver que a Toei também se inspirou vagamente num seriado que eles tinham lançado em 1976, chamado Uchu Tetsujin Kyodain, quando quis criar Bicrossers.
Por incrível que pareça, a gente vê aqui até uma certa influência de Spectreman (1971), já que a forma como o deus Pégasus se mostra (uma abstrata personalidade espacial) apresenta algumas similaridades com a forma como os Dominantes de Nebula 71 se mostram.
Pelo menos na 1ª metade do seriado, os vilões são bastante abobalhados e fazem muito mais babaquices do que perversidades. Mas dá pra ver que, do meio do seriado pra frente, tentaram dar um clima um pouquinho mais sério à história. Inclusive botaram o Doutor Q usando um vestuário relativamente menos ridículo.
Por falar aí no cientista meio doido das ideias, vejam que a tentativa de imitar Machineman foi tão forte que botaram um vilão principal com um nome que lembra bastante os nomes dos vilões principais de lá (Professor K e Lady M).
Ambas foram produções de baixo custo. Mas dá pra ver que Bicrossers recebeu um pouquinho mais de investimento do que Machineman (os efeitos especiais são melhores, o cenário da base dos vilões é mais bem elaborado, os robôs são representados por fantasias diferentes e não pela MESMA fantasia escancaradamente reaproveitada a cada capítulo...).
Bicrossers foi exibido pela Globo no início dos anos 90, mas só por um breve período. Por isso é um dos seriados desse tipo já exibidos no Brasil dos quais menos brasileiros se lembram.rs
Bom, posso recomendar esse seriado a fãs de sentais em geral. Mas é claro que você vai ter que assistir sob uma ótica bem mais infantil do que o comum.rs
Agora, uma pequena polêmica: Taiyo Sentai San Barukan (1981) é sempre mencionado como o único sentai que teve só homens na equipe (em todos os outros seriados que a Toei reconhece como parte da franquia sentai, no mínimo 1 dos membros do grupo de guerreiros é mulher); mas dá pra afirmar isso levando Bicrossers em conta?
É claro que já vimos que Bicrossers não faz parte oficialmente da franquia dos sentais. Mas, por uma questão de semelhanças de características, ele pode ser visto extraoficialmente como um sentai. E também só teve homens na equipe.
Então, podemos dizer que San Barukan é o único ‘clube do bolinha’ da franquia oficial. Mas Bicrossers, na prática, também é um.
O ator Yuki Tsuchiya, que interpretou o Ginjiro, morreu num acidente de carro em 1990. Ele já tinha interpretado o herói Wiri, em 1 capítulo de Sharivan, o Guardião do Espaço (1983).
Mais informações sobre Bicrossers? Lá vai:


E dê uma clicada aí do lado em ‘produções japonesas’ que você acha posts sobre Changeman, Jaspion, Machineman, San Barukan, Sharivan e Spectreman.
Até a próxima!

Nenhum comentário: